Sábado, 21 de Junho de 2008

Borboletas (parte 2)

-Eu como todos aqui presentes, me perguntava, como ela podia?

Porque, e coisas assim. *
 

E ao chegar em casa naquela noite, eu só tirei a roupa, tomei um banho longo, e deitei na minha cama ainda meio molhada.

eu chorei, até cair no sono.

e quando acordei, olhei o relógio e já era de manhã.

eu estava com frio, e com fome.

acordei, coloquei uma roupa quente, e desci para preparar algo para comer.

não tinha muita coisa, comi um ovo mexido, e um suco de laranja, um típico café da manhã americano.

 

sentei no sofá, e liguei a TV, em todos os canais, falavam dela, depoimentos de alguns alunos nossos, e até uma imagem minha.

desliguei, e deitei, nada faz sentido, porque ela fez isso, eu queria saber.

chorei, até me lembrar, tudo bem era uma manhã de sábado, mas segunda já começam as provas.

Entrei no meu computador para digitar umas provas.

 

O meu E-mail, apitava uma nova mensagem, deixei para depois, assim que terminasse as provas, eu olharia os meus e-mails.

 

"Acabei", pensei aliviada, fazer as provas me fez esquecer um pouco de tudo, e respirar um pouco.

 

A é , o e-mail, entrei rapidinho no meu e-mail, quando vi que a mensagem nova era a de Samira, ela me enviou as 10:10 da noite, naquela mesma noite.

O que será?

 

 

 * = só pra lembrar, nós ainda estamos no depoimento, da Lilía, no entero, mas claro, que tem coisas que só nós sabemos, os presentes no entero ainda nem desconfiam (:

 

publicado por Ossos e Borboletas às 13:25
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Sábado, 7 de Junho de 2008

Borboletas (parte 1)

"Obrigada por se preocupar com ela."

 

eu estava andando e pensado seriamente em muitas coisas, relembrando muitas lembranças.

quando eu vi um aglomerado de pessoas. gente falando, gente chorando, a policia e as ambulâncias, o que será que aconteceu?

 

"a moça se suicidou", um rapaz cutucou meu braço, me esclarecendo,"ontem a noite!".

 

Caramba, pensei comigo.

fui chegando mais perto do corpo, e eu vi.

sapatos vermelhos, cabelos castanhos, misturados com o vermelho do seu próprio sangue.

uma saia bege, uma camisa justa branca e uma fita de seda vermelha na cintura, seus olhos fechados, tão forte, como se não quisesse ver a sua morte chegar.

 

"é ela, SAI DA MINHA FRENTE, SAMIRA, PORQUE?, ACORDA, NÃO, POR FAVOR! SAMIRA, EU TE AMAVA, PORQUE?" eu a abracei sem pensar.

eu gritava com todas as minhas forças, eu chorava e eu ainda não conseguia acreditar no que via, e então o silencio.

eu ouvia o meu coração, a minha respiração e no meio da multidão, eu me sentia sozinha.

a imagem do sorriso dela se apagou, os policiais, me puxaram pelo braço, e eu não podia deixar de olha-lá enquanto eles me levavam.

a minha roupa estava suja do sangue dela, do cheiro dela.

 

eu só chorava e não disse nem uma palavra, dês do momento em que me levaram para uma delegacia. do vidro do carro eu a vi, parecia olhar para mim, mesmo que de olhos fechados.

me deram um cobertor, e uma caneca de café.

"quer dizer algo, de onde a conhece, seu nome, o nome dela", uma moça, bem vestida, e sorrindo sem graça para mim, e colocando a mão no meu ombro  disse "você só precisa falar".

se eu disser que ela era minha namorada, logo vão mandar um homem falar comigo, se eu disser que eu não sei mais de nada, eles vão me prender?

então, eu não sei de nada.

 

"Samira de Sousa, Lilía Ferreira, nós trabalhávamos juntas, em uma escola local, Colégio Santa Barbara, ela era nova no trabalho mas a meses, nós...", não consegui terminar, o que eu deveria dizer?

 

"vocês...", perguntou com delicadeza a moça, tirando a mão do meu ombro.

eu olhei para o meu ombro, depois para os olhos dela, bem fundo, na alma, e disse, "nós estávamos saindo!".

 

eu sabia que não era a resposta que ela queria, mas eu abaixei a cabeça, e depois olhei para todos os lados menos nos olhos dela de novo.

 

"Bom Lilía, nós vamos investigar e depois com mais calma mandamos alguém te procurar." ,disse ela,"quer que eu chame um táxi?".

balancei a cabeça em um gesto de sim, e sorri.

 

ela se levantou, e se virou, deu uns 3 passos e se virou de volta para mim,"a família dela sabia?", eu disse sem medo dessa vez,"não, ela estava noiva, e eu só me apaixonei por ela. será que você poderia me procurar depois? mais não tenha medo, eu não vou te atacar.", dei uma risada curta, e com os olhos cheios de lágrimas olhei nos olhos dela de novo.

ela sorria, e me disse sim com a cabeça, " eu tenho certeza que você não me 'atacaria'".

 

deixei o cobertor na cadeira onde eu estava sentada, e a segui, até o táxi.

eu dei as instruções ao motorista e agradeci a ela com um olhar.

 

 

 

 

 

publicado por Ossos e Borboletas às 16:55
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008

Ossos (parte 3 - The And)

Certa vez, um dia como todos os outros, um encontro normal. Pelo menos era o que eu achava!

mas eu sentia que ela estava meio nervosa, mas quando perguntei o que a incomodava, ela me disse que "coisas de trabalho".

Bom deveria ser, as provas estavam mesmo por perto.

 

Como de costume ela olhou no relógio, 10 horas, levantou e disse"Boa Noite!" e foi embora.

Estranho, ela sempre me beijava e sorria a noite toda, mas ela deveria estar nervosa.

tudo bem!

na manhã seguinte, eu fui até a sala dela, mas ela não estava, o zelador me informou que ela não tinha vindo essa manhã, e ele até me disse que ela andava estranha, e meio perdida.

disse que a ouvira chorar certa manhã mas quando ele entrou ela logo engoliu as lágrimas.

O que está acontecendo? Meu Deus, o que será dessa vez? pensei.

 

passei a manhã meio pensativa e com medo por ela.

mas eu logo tive a ideia de ir até a casa dela, e ver como ela estava.

para a minha surpresa, ela morava com os pais.

 

a Dona Júlia, sua mãe, me cumprimentou, e disse que a Samira não estava dês de ontem.

eu disse que também não sabia nada dela, dês das 10 horas de ontem.

ela me pediu para entrar.

que casa aconchegante pensei, cheia de fotos, coisas feitas a mão, e tudo muito bem arrumado, e a casa tinha um cheiro de bolo, se fosse Samira também nunca sairia de lá.

 

Havia um sofá cor de rosa, no centro da sala, Dona Júlia chamou me a atenção até o sofá.

"sente-se, sente-se", sentei, "Obrigada", disse.

a senhora pegou um porta-retratos, e me mostrou, 3 jovens muito lindas, e uma delas era Samira, porem muito mais jovem do que eu cheguei a conhecer.

"são lindas, olha a Samira está tão pequena nesta foto!", e sorri, delicadamente lhe entregando de volta o porta retrato.

"é todas elas se casaram, menos a mais nova, a Samira", ainda bem pensei comigo!

"é ela sempre foi a única que não queria se arrumar para os meninos, ela queria brincar todo o tempo, porem ela sempre soube dividir brincadeira com estudo, veja hoje, ela é a única que trabalha e se sustenta. Mas ainda quis morar aqui, diz que nasceu aqui e nunca mais vai sair. ela e uma garota teimosa, parece-se muito com o pai."

eu olhei fundo nos olhos dela querendo entender onde queria chegar, e depois olhei para baixo e murmurei," é, ela é mesmo muito teimosa."

 

Dona Júlia segurou minha mão e disse" Obrigada por ser amiga dela, ela sempre foi muito sozinha, e nos últimos tempos, nem mais a ideia de o noivo dela estar chegando da Noruega a incomoda mais", NOIVO? como assim? já fazem meses que nós saímos ela nunca me contou," Noivo?" perguntei tentando esconder minha desce pisão.

"é, o noivo dela é incrível, rico, bonito, inteligente e conhece o mundo inteiro", nossa ele deveria ser mesmo muito incrível," Nossa, que bom, mas...mas ela o ama?", meu coração quase explodiu quando perguntei, batia tão forte que nem sabia se eu iria viver.

"não, esse é o problema, ela disse que nunca vai ama-lo", Ufa, pensei que tudo o que ela havia me dito era mentira, ainda bem, respirei mais aliviada. 

 

 

 

 

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publicado por Ossos e Borboletas às 14:48
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008

Ossos (parte 2)

Na manhã seguinte, eu fui até ela e a cumprimentei, ela me deu um bejo quente no rosto e me passou um bilhete.
"me encontra as 8 na Lanchonete aqui da frente"
olheia nos olhos, concordei com a cabeça e sai.

Nós conversamos, trocamos beijos e risadas.
As pessoas nós olhavam, mas ela nem percebeu.
eramos como duas colegiais, nós comemos batatas e coca-cola.
sabiamos que só poderiamos ficar juntas, durante as nossas noites de folga.
ela era uma exclente professora, e eu também.

matérias diferentes, mas eramos tão parecidas.
nós duas, mulheres adultas!

muitas noites como aquela seguiram, nós duas, nos davamos muito bem.
sempre sabiamos o que dizer, sabia que esse amor não era platonico.
porém, agente quase nunca falava de familia e nada assim, só trabalho, e o futuro.

em umas das vezes que nos encontramos, Samira olhou o relógio.
10 horas, ela sempre ia em bora nesse horario, e nesses ultimos 2 meses que nos estavamos saindo,
ela sempre se levantava me beijava, e dizia "até amanhã!".
nas primeiras vezes eu quertionei porque ela ia tão cedo, mas depois me acostumei, e nunca mais falei nada.
eu só aproveitava bastante o tempo junto com ela.
publicado por Ossos e Borboletas às 23:21
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Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Ossos (parte 1)

-Sei que parece, desnecessário, mas a Samira me pediu para contar a todos, quem ela era.
ela dizia que eu era a única pessoa em quem ela confiava.
claro que ela confiava nos pais, e parentes, mas eu era seu único amigo.

um dia nós nos esbarramos, no metro, e então tivemos a oportunidade de conversar por alguns minutos.
eu contei umas piadas sem graça, e ela riu.
ela me disse que estava indo para casa, e eu disse que estava indo lá perto, e perguntei se podia a companha-lá.
ela concordou, achei que ela estava gostando da minha companhia e fiquei muito feliz.
quando já estávamos chegando, ela...
me segurou nos braços, veio na minha frente olhou nos meus olhos e...
me beijou!
ela riu, e saiu correndo.
eu fiquei alguns minutos meio, sem reacção, e quando a vi ir embora gritei para ela voltar.
ela se virou ainda correndo e acenou.
Nunca podia imaginar, como será que ela sabia que eu a queria?
será que ela também sentia algo por mim?

andei os dez quarteirões até minha casa, meio confuso, quase fui atropelado.
mas não podia deixar de passar aquele filme na minha mente.
cheguei em casa, e deitei na minha cama, e fiquei pensando nela até adormecer. 
publicado por Ossos e Borboletas às 23:50
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era um cortejo fúnebre de borboletas que chegavam a cegar, tamanha beleza.

-Morreu, ela morreu.
Como pode ela viver uma vida tão sem importância?
Sem coisas boas as quais nós possamos nos lembrar.
Eu sei, hoje é o enterro dela e eu deveria diz alguma coisa bonita.
Mas não posso, não seria certo dizer somente que ela foi uma boa pessoa.
Muitos de vocês imaginam que ela era uma pessoa excelente, e era.
Mas poucos a conhecem como eu.

Samira era uma pessoa calada, não dizia o que pensava, só ouvia.
é bom ouvir, mas ficar em um silencio tão mórbido como dela era quase impossível.
vê-lá sorrir era raro.
dizer algo então era quase um milagre.
um dia eu tive a oportunidade de ouvi-la falar.
e me encantei com a doçura de sua voz a clareza de como as suas palavras eram proferidas.
sentia-me um sortudo, ouvi-la falar era para poucos.
mau sabia eu que a ouviria falar como louca todos os dias da sua vida até hoje.

eu sorria estático para ela quanto ela dizia"queria saber como faço para chegar até a sala de leitura".
"suba a escadaria a direita"disse.

não podia deixar de pensar nela, aquele rosto perfeito.
pele branca, quase que intocada pelo sol, cabelos negros, e olhos tão profundos.
os mesmos que olhavam fundo na alma de todos que os olha-se.
sempre vigiando, olhando os outros, e ela ficava ali parada, imóvel.

não sei o como mas ela me deixava louco, de curiosidade, medo, e vontades malucas.

seus lábios avermelhados, sorriram para mim e ela subiu.
publicado por Ossos e Borboletas às 00:26
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